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Actual Rates no Betaflight: o guia em português

🎛️ Rádios & Controles12 min de leitura· ✅ Atualizado 07/08/2026

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Quase todo conteúdo em português sobre rates ensina o sistema antigo — RC Rate, Super Rate, RC Expo. Só que o Betaflight mudou o padrão na versão 4.3, e hoje quem abre o programa pela primeira vez encontra três campos diferentes desses. É por isso que tanta gente lê um tutorial e não acha o campo que ele manda mexer.

A resposta em 30 segundos

Actual Rates é o modo padrão de configurar rates desde o Betaflight 4.3. São três campos independentes: Center Sensitivity (giro perto do centro do stick, em graus por segundo), Max Rate (giro no fim do curso) e Expo (curva a resposta sem alterar os outros dois).

De fábrica vêm 70 · 670 · 0,50. Se o drone parece nervoso, o campo é o Center Sensitivity — e você baixa. Se as manobras parecem lentas, é o Max Rate — e você aumenta. Mexer nos dois ao mesmo tempo é o jeito mais rápido de não entender o que aconteceu.

Os três campos, um por um

Center Sensitivity — a sensação no meio do stick

Define quantos graus por segundo o drone gira com o stick pouco deslocado. É o campo que mais muda a sensação de pilotar, porque a sua mão passa quase todo o voo na região central — ajustando linha, corrigindo vento, mantendo o horizonte. Valor alto deixa o drone reativo e nervoso; valor baixo deixa dócil e previsível.

De fábrica: 70 deg/s.

Max Rate — a velocidade no fim do curso

É a velocidade de giro quando você leva o stick até o batente. Decide quão rápido sai um flip ou um roll. Não tem influência sobre o controle fino: você pode ter um drone suavíssimo no centro e violento no fim do stick — e, na prática, é isso que a maioria das pessoas quer.

De fábrica: 670 deg/s.

Expo — a curva entre os dois

Expo desloca o ponto de inflexão da curva sem mexer no centro nem no máximo. Serve para suavizar a região intermediária mantendo a velocidade de ponta. É o último campo a mexer, não o primeiro: usado cedo demais, ele mascara um Center Sensitivity mal escolhido em vez de resolver.

De fábrica: 0,50.

A diferença estrutural do Actual para o sistema antigo é essa independência: mexer em um campo não altera os outros dois. No modelo velho, aumentar o RC Rate mudava também a curva inteira, e você acabava perseguindo o próprio rabo.

Os números por estilo de voo

Faixas de referência conhecidas na comunidade — não são regra, são ponto de partida para você ajustar a partir de algo que já funciona:

EstiloCenter Sens.Max RateExpo
Cinematic / vídeo50 – 150600 – 8000,6 – 0,8
Freestyle100 – 200800 – 10000,5 – 0,7
Racing150 – 250600 – 8000,4 – 0,6
Padrão de fábrica (4.3+)706700,50

Repare numa coisa contraintuitiva: racing não tem o maior Max Rate. Quem corre precisa de precisão no centro para segurar a linha, e por isso sobe a sensibilidade central em vez da velocidade de ponta. Quem faz freestyle é o oposto — quer o giro rápido para os flips, e aceita um centro mais calmo.

O erro nº 1 de quem está começando

Baixar o Max Rate achando que vai ficar mais fácil. É o reflexo natural: o drone parece descontrolado, então a gente reduz a velocidade. Só que o efeito é o contrário do esperado.

Com o Max Rate baixo, uma manobra demora mais para completar. E enquanto ela não termina, o quadricóptero continua perdendo altura — então você chega ao fim do flip mais baixo do que chegaria com rate alta, com menos espaço para recuperar. O que parecia margem de segurança virou o motivo da batida.

Se a sensação é de descontrole, o campo certo é quase sempre o Center Sensitivity, para baixo. É ele que governa a região onde a sua mão realmente está.

Suave não é a mesma coisa que lento

Essa confusão é a raiz de metade dos ajustes errados, e quase nenhuma fonte em português separa as duas coisas com clareza:

  • Suave = resposta gentil no meio do curso. Campos: Center Sensitivity e Expo.
  • Lento = velocidade máxima de giro baixa. Campo: Max Rate.

Dá para ter as duas coisas ao mesmo tempo em direções opostas — suave no centro e rapidíssimo no fim —, e é justamente essa combinação que a maioria das pessoas descreve quando diz “quero um drone controlável mas que não seja lerdo”.

E tem uma terceira coisa que costuma entrar na conversa por engano: deadzone. Deadzone é uma faixa perto do centro em que o comando é ignorado — o drone não reage. Center Sensitivity nunca ignora: ela só torna a reação mais lenta naquela região. Os dois termos e outros doze estão explicados no glossário de termos de FPV.

Por que o tutorial que você achou não bate com a sua tela

As Actual Rates chegaram na versão 4.2 e viraram padrão na 4.3. Antes disso, o Betaflight usava três campos com outros nomes — RC Rate, Super Rate e RC Expo — e é esse trio que a maior parte do conteúdo em português ainda ensina.

Há um detalhe que explica muita reclamação: o padrão antigo tinha sensibilidade central em torno de 200, contra os 70 de hoje. Ou seja, o Betaflight ficou bem mais dócil no centro. Quem voava antes e atualizou costuma achar o drone “pesado” — não é impressão, o padrão realmente mudou.

Se você abriu um preset de terceiro e os campos não são esses, provavelmente o tipo de rate está em Betaflight ou Raceflight em vez de Actual. Trocar o tipo muda os campos disponíveis, não o seu drone — mas trocar sem reconfigurar muda, e bastante.

A ordem certa de ajustar

  1. 1

    Escolha o tipo Actual

    Na aba PID Tuning do Betaflight, seção Rates, confirme que o tipo está em ACTUAL. Do Betaflight 4.3 em diante ele já vem assim; se você abriu um preset antigo, pode estar em Betaflight ou Raceflight.

  2. 2

    Ajuste primeiro o Center Sensitivity

    É o campo que muda a sensação no meio do curso, onde a mão fica quase o tempo todo. Drone nervoso e difícil de manter em linha pede valor MENOR. Drone que parece preguiçoso nos ajustes finos pede valor maior. Mude de 20 em 20 deg/s, não de 100 em 100.

  3. 3

    Depois o Max Rate

    É a velocidade de giro com o stick no fim do curso — o que decide quão rápido o flip e o roll acontecem. Não baixe achando que fica mais fácil: manobra lenta perde mais altura e dificulta a recuperação.

  4. 4

    Só então mexa no Expo

    Expo curva a resposta sem alterar o centro nem o máximo. Use para suavizar o meio do curso sem perder velocidade de ponta. Mexer nele antes dos outros dois só mascara o problema.

  5. 5

    Teste uma coisa por vez

    Voe o mesmo trecho depois de cada mudança, de preferência no simulador, que é onde errar é de graça. Mudar dois campos juntos torna impossível saber qual dos dois causou a diferença.

Foi seguindo essa ordem que eu resolvi o meu caso. O que me incomodava era o pitch e o roll puxando rápido demais logo no começo do stick — sensação de que o drone reagia mais do que eu pedia. O campo que resolveu foi a sensibilidade do centro, não a taxa máxima. Se eu tivesse mexido no Max Rate, teria deixado o quad lento e continuado com o mesmo incômodo no controle fino.

Pitch, roll e yaw não precisam ser iguais

O Betaflight permite valores separados para os três eixos, e há uma caixa de seleção que trava roll e pitch juntos. A maioria das pessoas deixa esses dois iguais — faz sentido, porque são os movimentos que você combina o tempo todo e ter sensibilidades diferentes atrapalha a coordenação.

O yaw é o que costuma sair da regra. É comum configurá-lo mais baixo que os outros dois, porque yaw rápido gira a imagem inteira e embrulha o estômago de quem está de óculos — e, na prática, você usa yaw para ajustar direção, não para fazer manobra. Se você tem enjoo em curva, esse é o primeiro campo a olhar, não o Center Sensitivity geral.

Um efeito colateral que confunde: com roll e pitch travados juntos, mexer num muda o outro na tela e parece que o programa está com bug. Não está — é a caixa de seleção fazendo o trabalho dela.

Quando o problema não é rate

Vale saber reconhecer, porque mexer em rate quando a causa é outra só faz você perder tarde inteira ajustando o campo errado:

  • O drone oscila ou treme sozinho, mesmo com os sticks parados → isso é PID, não rate. Rate só define quanto giro o seu comando pede; oscilação é o controlador brigando com o próprio motor.
  • O drone anda sozinho para um lado com o stick centrado → deadzone, calibração dos sticks ou trim do rádio. Rate não cria movimento onde não há comando.
  • A imagem trava ou pica → é vídeo (VTX, antena, canal), não controle.
  • Resposta atrasada em relação ao stick → costuma ser RC smoothing ou taxa de atualização do link, não rate.

A pergunta que separa os casos é simples: o drone faz o que eu peço, só que na intensidade errada? Se sim, é rate. Se ele faz o que você não pediu, o problema está em outro lugar.

Salve a configuração antes de mexer

Parece óbvio e quase ninguém faz: antes de começar a ajustar, guarde o que você já tem. No Betaflight, a aba CLI aceita o comando diff, que devolve tudo o que está diferente do padrão de fábrica. Copie a saída para um arquivo de texto e guarde com a data no nome.

Isso resolve dois problemas reais. O primeiro é poder voltar quando um ajuste piorar — e vai piorar em alguma tentativa, faz parte. O segundo é comparar: com dois arquivos você consegue ver exatamente o que mudou entre a configuração que voava bem e a que ficou estranha, em vez de tentar lembrar.

O Betaflight também guarda mais de um perfil de rate, e dá para trocar entre eles por uma chave do rádio. É a forma mais prática de manter uma configuração calma para gravar vídeo e outra mais solta para treinar, sem reconfigurar nada entre um voo e outro.

Onde testar sem quebrar nada

Ajuste de rate se sente, não se calcula. E o lugar de sentir é o simulador, onde errar é de graça: você muda um campo, voa o mesmo trecho, e compara. Fazer isso com um drone real custa hélice a cada tentativa.

Para isso você precisa de um rádio de verdade conectado ao computador — teclado e controle de videogame não servem, porque a sensação do stick é justamente o que você está ajustando. Eu uso um RadioMaster Pocket, que conecta por USB e é reconhecido como joystick sem instalar driver.

RadioMaster Pocket, rádio usado para ajustar e testar rates no simulador
O rádio é a peça que menos envelhece do hobby: serve para o simulador hoje e para o drone depois.

A análise completa dele está em RadioMaster Pocket vale a pena? e o passo a passo da conexão, com os motivos de um rádio não ser detectado, está em qual controle usar no simulador de FPV.

Sobre onde treinar: o comparativo entre TRYP FPV e Uncrashed explica qual dos dois tem física honesta o bastante para o ajuste transferir para o drone real — e o comparativo dos três simuladores inclui o Liftoff. Se você ainda está montando o setup, comece por como começar no FPV do zero.

Se você ainda está escolhendo o rádio, a comparação entre os dois modelos mais buscados está em RadioMaster Pocket ou TX16S.

O que são Actual Rates no Betaflight?

É o modo de configurar rates que virou padrão a partir do Betaflight 4.3. Ele tem três campos independentes: Center Sensitivity (velocidade de giro perto do centro do stick, em graus por segundo), Max Rate (velocidade de giro com o stick no fim do curso) e Expo (curva a resposta sem alterar os outros dois). A vantagem sobre o sistema antigo é que mexer em um campo não muda os outros.

Qual o valor padrão das rates no Betaflight 4.3?

Center Sensitivity 70 deg/s, Max Rate 670 deg/s e Expo 0,50. O sistema antigo do Betaflight usava sensibilidade central em torno de 200, bem mais agressiva no meio do stick — por isso quem vem de uma configuração antiga costuma achar o padrão novo lento demais no começo.

Meu drone está twitchy, o que ajusto?

Twitchy é o drone reagindo demais a movimentos pequenos do stick, com correções nervosas e difíceis de controlar. Na quase totalidade dos casos a causa é Center Sensitivity alta demais. Baixe esse campo em passos de 20 deg/s e teste. Mexer no Max Rate não resolve twitchy: ele controla o fim do curso, não o meio.

Baixar o Max Rate deixa o drone mais fácil de pilotar?

Não, e esse é o erro mais comum de quem está começando. Com Max Rate baixo o drone leva mais tempo para completar um flip ou um roll, e nesse tempo a mais ele perde mais altura — o que torna a recuperação mais difícil, não mais fácil. Se o drone parece nervoso, o campo a mexer é o Center Sensitivity.

Suave e lento são a mesma coisa nas rates?

Não, e confundir os dois faz você mexer no campo errado. Suave é resposta gentil no meio do curso, controlada por Center Sensitivity e Expo. Lento é velocidade máxima de giro baixa, controlada por Max Rate. Dá para ter um drone suave no centro e rapidíssimo no fim do stick — na prática é exatamente o que a maioria quer.

Deadzone e Center Sensitivity são a mesma coisa?

Não. Deadzone é uma faixa perto do centro em que o comando é simplesmente ignorado: o drone não reage. Center Sensitivity apenas curva a resposta — o drone continua reagindo a qualquer movimento, só que mais devagar naquela região. Se o seu problema é o drone se mexer sozinho com o stick parado, o campo é deadzone; se é reagir demais, é Center Sensitivity.

Devo usar o mesmo rate para pitch, roll e yaw?

Roll e pitch quase sempre andam juntos — o Betaflight até tem uma caixa que trava os dois — porque são os movimentos que você combina o tempo todo e sensibilidades diferentes atrapalham a coordenação. O yaw é o que costuma sair da regra: muita gente o configura mais baixo, porque yaw rápido gira a imagem inteira e causa enjoo em quem está de óculos. Se você sente mal-estar em curva, comece por esse campo.

Meu drone oscila sozinho, é problema de rate?

Não. Oscilação com os sticks parados é PID, não rate. Rate apenas define quanto giro o seu comando pede — se o drone faz algo que você não pediu, o problema está em outro lugar. A pergunta que separa os casos: o drone faz o que eu peço só que na intensidade errada? Se sim, é rate. Se ele age sem comando, é PID, deadzone ou calibração de stick.

Preciso mudar as rates antes de acumular horas de simulador?

Vale muito a pena. Rate alta demais ensina você a corrigir excesso o tempo todo; rate baixa demais esconde erro de controle fino. Nos dois casos você forma reflexo em cima de uma configuração que vai trocar depois. Ajuste cedo, no simulador, e depois só refine.

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Equipe Buskando

Por Equipe Buskando · Política editorial

Análises e curadoria de equipamento FPV. Aprovado na Avaliação Teórica de Piloto de Drone da ANAC. Ver metodologia completa.

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