Imposto de Importação 2026: Quanto Você Paga de Verdade na AliExpress
A regra mudou em maio e boa parte do que está no ar ficou desatualizada — inclusive num ponto que quase todo mundo repete errado. Aqui está a conta certa, com a fonte de cada número, o cálculo pronto para você conferir o checkout e o que mudou — e o que não mudou — quando a medida provisória virou lei, em setembro.
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⚡ Resumo rápido: Até US$ 50, o Imposto de Importação é ZERO desde 12/05/2026 (era 20%). Sobra o ICMS de 17% — 20% em nove estados — calculado "por dentro", o que dá carga efetiva de ~20,5%. Acima de US$ 50 continua 60% com desconto de US$ 30: os 30% que muita gente cita NÃO estão em vigor. E o prazo que preocupava caiu: a MP foi convertida na Lei 15.502, de 10/09/2026, e a regra não expira mais em 22/09 — mas o zero segue vindo de portaria, que o ministro pode mudar.

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Neste guia avaliamos o texto da MP 1.357/2026, da Portaria MF 1.342/2026 e as páginas oficiais da Receita Federal sobre o Programa Remessa Conforme, consultadas em 05/08/2026; o texto da Lei 15.502/2026, a tramitação no portal do Congresso e a página de alíquotas da Receita foram lidos em 21/09/2026, depois da conversão em lei. A seleção é editorial e independente — não recebemos pagamento de fabricantes nem de lojas para posicionar nada. Confira sempre a disponibilidade e o preço atual na Amazon.
O que mudou em maio de 2026
Em 12 de maio de 2026, duas normas saíram no mesmo dia. A MP 1.357/2026 deu ao Ministro da Fazenda a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação no regime de tributação simplificada. E a Portaria MF nº 1.342/2026 usou essa competência para zerar o Imposto de Importação nas compras de até US$ 50 feitas por pessoa física em sites do Programa Remessa Conforme.
Em setembro a MP deixou de ser provisória: foi aprovada pela Câmara e pelo Senado no dia 3 e sancionada no dia 10, como Lei nº 15.502/2026. As alíquotas que você paga não mudaram com isso — mudou a segurança de que a regra não cai sozinha por falta de votação.
Antes disso, essa faixa pagava 20% — a alíquota que ficou conhecida como "taxa das blusinhas", em vigor desde agosto de 2024. Na prática, quem compra até US$ 50 numa plataforma certificada deixou de pagar imposto federal.
Só que o imposto federal nunca foi o único. Continua existindo o ICMS, que é estadual — e é justamente ele que a maioria das pessoas esquece de somar.
A confusão dos 30% (que quase todo site repete)
Você provavelmente leu em algum lugar que a compra acima de US$ 50 "caiu de 60% para 30%". Não caiu.
O texto da MP 1.357/2026 — e o da Lei 15.502/2026, em que ela foi convertida — autoriza. Nas palavras da lei, "Ato do Ministro de Estado da Fazenda poderá alterar" as alíquotas, "inclusive para reduzi-las a zero na faixa de tributação de até US$ 50,00" "e a 30% (trinta por cento) na faixa de tributação de até US$ 3.000,00". O verbo é "poderá". É uma autorização — uma permissão para que o ministro faça, se e quando quiser.
A Portaria MF 1.342/2026, que exerceu essa autorização no mesmo dia, mexeu em duas coisas: zerou a faixa de até US$ 50 e aumentou o desconto da faixa seguinte de US$ 20 para US$ 30. A alíquota de 60% acima de US$ 50 não foi alterada.
Como conferimos: em 05/08/2026, a página "Quanto vou pagar de impostos?" da Receita Federal informava 60% com desconto de 30 dólares para sites certificados. Voltamos a ela em 21/09/2026, com a página já atualizada pela Receita em 14/09 — depois da sanção da lei —, e a regra segue a mesma: "Se o valor da compra for acima de 50 dólares: o Imposto de Importação será de 60% sobre o valor da compra - Desconto de 30 dólares". Autorização em lei e alíquota em vigor são coisas diferentes — e é aí que o texto de terceiros escorrega.
A conta real: por que R$ 100 viram R$ 120,48
Aqui está o detalhe que faz o checkout vir maior do que você calculou. O ICMS de 17% não é 17% sobre o preço do produto. Ele é calculado "por dentro": o próprio imposto entra na base de cálculo.
A fórmula é esta:
base de cálculo = valor ÷ (1 − 0,17)
ICMS = base × 0,17
Com R$ 100 de compra: a base vira R$ 120,48 e o ICMS, R$ 20,48. A carga efetiva sobre o produto é de ~20,5%, não de 17%. O exemplo é da própria Receita Federal, que publica exatamente esse número.
| Produto + frete | Imposto de Importação | ICMS 17% | Total a pagar |
|---|---|---|---|
| R$ 50,00 | R$ 0,00 | R$ 10,24 | R$ 60,24 |
| R$ 100,00 | R$ 0,00 | R$ 20,48 | R$ 120,48 |
| R$ 150,00 | R$ 0,00 | R$ 30,72 | R$ 180,72 |
| R$ 200,00 | R$ 0,00 | R$ 40,96 | R$ 240,96 |
| R$ 250,00 | R$ 0,00 | R$ 51,20 | R$ 301,20 |
Valores para compra dentro da faixa de até US$ 50 em site do Remessa Conforme, com ICMS de 17%. Nos nove estados que cobram 20%, o ICMS por dentro equivale a 25% do valor da compra — R$ 25,00 a cada R$ 100, em vez dos R$ 20,48 da tabela. Com o dólar a R$ 5,13 (cotação de 05/08/2026), o teto de US$ 50 equivale a cerca de R$ 256 — por isso a última linha para em R$ 250. Como a cotação muda todo dia, refaça essa conversão antes de comprar perto do limite.
E se a compra passar de US$ 50?
Aí a conta muda de patamar. Na faixa de US$ 50 a US$ 3.000, em site certificado, vale 60% de Imposto de Importação com desconto de US$ 30, e o ICMS incide sobre o valor somado ao imposto de importação.
O exemplo da Receita Federal, para uma compra de R$ 510: o Imposto de Importação sai por R$ 156 (60% de R$ 510, menos o desconto). Depois disso ainda entra o ICMS sobre a soma.
Existe um efeito prático importante nisso: a faixa logo acima de US$ 50 é péssima. Passar de US$ 49 para US$ 52 pode significar sair de zero imposto federal para dezenas de reais. Se o seu carrinho está encostando no limite, a conta favorece tirar um item — e comprá-lo mais adiante só se ele fizer sentido por si, não como segunda metade do mesmo carrinho. Um cuidado que passou a valer em setembro: a Lei 15.502/2026 manda as plataformas e os operadores logísticos do programa adotarem mecanismos para identificar indícios de "fracionamento artificial de remessas" (art. 3º-A) e autoriza o Executivo a criar critérios para coibi-lo (§ 2º-F). Esta lei não define o termo nem cria sanção para o comprador: a obrigação, e a punição por descumpri-la (art. 3º-A, § 2º), são das empresas. Mas os critérios do § 2º-F, quando saírem, podem tirar o benefício de quem fraciona — e quebrar o mesmo carrinho em dois pedidos no mesmo dia é o candidato óbvio ao que as plataformas vão monitorar.
⚠️ O limite inclui o frete. Os US$ 50 valem sobre o valor aduaneiro — mercadoria mais frete e seguro, não só o preço do produto. Um item de US$ 47 com US$ 6 de frete soma US$ 53 e já cai na faixa dos 60%. Some antes de fechar o carrinho.
Seu estado cobra 17% ou 20%?
O Convênio ICMS 81/23 tinha fixado 17% para todos os estados nas remessas internacionais. Depois, o Convênio ICMS 135/2025 passou a permitir carga entre 17% e 20% — e nove estados subiram a partir de abril:
Nos demais — incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais — a alíquota nessas compras segue em 17%, mesmo quando a alíquota interna do estado é maior. É uma diferença que costuma passar despercebida: um morador da Bahia paga cerca de 25% de carga efetiva onde um paulista paga 20,5%.
A MP virou lei: o que acontece com o prazo de 22 de setembro
Até esta atualização, este guia avisava que o benefício tinha data para acabar. O risco de a MP caducar não existe mais — mas vale entender o que exatamente ficou garantido, e o que a lei acrescentou.
Medida provisória não é lei definitiva: ela vigora por 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período, e precisa ser convertida em lei pelo Congresso. A MP 1.357/2026 já tinha sido prorrogada em julho, e o prazo final era 22 de setembro de 2026. Ela não chegou a vencer: a comissão mista aprovou o texto em 2 de setembro, a Câmara e o Senado em 3 de setembro, e a sanção saiu em 10 de setembro, como Lei nº 15.502/2026.
Se a MP tivesse vencido sem votação, a alíquota anterior, de 20% na faixa até US$ 50, voltaria a valer. Isso saiu da mesa. O que a lei garante, porém, é a autorização para o Ministro da Fazenda manter a faixa zerada — o zero em si continua vindo da Portaria MF 1.342/2026, e portaria pode ser alterada por outra portaria, sem nova votação. Das mudanças que o Congresso fez no texto, além do monitoramento de fracionamento de que falamos acima, estas pesam para quem compra. Primeiro, o Executivo "poderá estabelecer limites quantitativos ou de frequência" para a alíquota reduzida nas remessas a pessoa física (§ 2º-F) — o zero pode passar a valer só para um número de compras, sem que a alíquota mude. Segundo, o Ministério da Fazenda tem de publicar avaliações do efeito da desoneração sobre emprego, indústria, comércio, preços e arrecadação: a primeira em três meses contados da publicação da lei (art. 1º-A, § 1º, e art. 6º), o que dá 10 de dezembro de 2026, e as seguintes a cada seis meses, no máximo. Terceiro, o Congresso passa a avaliar o regime todo ano, com relatório do Executivo até 30 de abril (art. 1º-B). Nenhum limite de quantidade ou de frequência foi criado até a nossa conferência de 21/09/2026. Há ainda um detalhe útil para quem compra perto do teto: a lei passou a prever que as mercadorias compradas em plataforma do programa "poderão ser nacionalizadas mediante a aplicação da taxa de câmbio vigente na data da compra" (§ 2º-G) — o verbo, de novo, é "poderão".
O que isso significa na prática: não há mais um prazo de caducidade empurrando você a antecipar uma compra de até US$ 50. A alíquota zero segue em vigor e sem data marcada para acabar. O que pode restringir o benefício daqui para a frente é uma nova portaria ou um limite de quantidade ou de frequência criado pelo Executivo. A primeira avaliação oficial, com prazo até 10 de dezembro de 2026, é o próximo ponto do calendário a acompanhar. Se algo mudar, atualizamos este guia.
Por que só vale a pena comprar em site certificado
Tudo o que está acima vale para plataformas que participam do Programa Remessa Conforme da Receita Federal — AliExpress, Shopee, Shein e Amazon Global estão entre elas. Essas empresas recolhem o imposto no próprio checkout e transmitem os dados da remessa antes de a encomenda chegar.
Fora do programa, a história é outra: 60% de Imposto de Importação sem faixa isenta e sem desconto, sobre mercadoria mais frete e seguro, mais o ICMS. E, como não houve recolhimento antecipado, a encomenda pode ficar retida até você pagar — com a burocracia e a espera que isso acarreta.
Na dúvida, o sinal mais simples é o próprio checkout: se o site mostra o imposto discriminado e cobra junto com a compra, ele está no programa.
Checklist antes de fechar o carrinho
- 1Some produto + frete e converta para dólar pela cotação do dia — o limite de US$ 50 é sobre o total, não sobre o produto.
- 2Se passar de US$ 50 por pouco, veja se dá para tirar um item. Quebrar o mesmo carrinho em dois pedidos no mesmo dia é candidato óbvio ao padrão anômalo que a lei de setembro manda as plataformas monitorar.
- 3Multiplique o valor por 1,205 (ou 1,25 se você mora num dos nove estados de 20%) para estimar o que sai do bolso.
- 4Confira se o checkout mostra o imposto discriminado — é o sinal de que o site está no Remessa Conforme.
- 5Compare o total COM imposto contra o preço do mesmo item no mercado nacional. Às vezes a diferença some.
- 6Olhe o prazo de entrega antes de confirmar: item com estoque no Brasil chega em dias; da China, costuma levar semanas.
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Ver os achados de eletrônicosPerguntas frequentes
Quanto pago de imposto numa compra de até US$ 50 na AliExpress?
Desde 12 de maio de 2026, o Imposto de Importação nessa faixa é ZERO em sites certificados no Programa Remessa Conforme — e a AliExpress é um deles. O que continua sendo cobrado é o ICMS, imposto estadual, de 17% na maioria dos estados (20% em nove deles). Como o ICMS é calculado "por dentro", uma compra de R$ 100 gera R$ 20,48 de imposto, e não R$ 17,00. Você paga tudo no próprio checkout, junto com o produto.
É verdade que o imposto acima de US$ 50 caiu de 60% para 30%?
Não — e essa é a confusão mais comum sobre o assunto. A MP 1.357/2026 — convertida na Lei 15.502, de 10 de setembro de 2026 — AUTORIZA o Ministro da Fazenda a reduzir a alíquota a 30% na faixa de até US$ 3.000, mas essa autorização não foi exercida. A Portaria MF 1.342/2026, editada no mesmo dia da MP, mexeu em duas coisas: zerou a faixa de até US$ 50 e aumentou o desconto da faixa seguinte de US$ 20 para US$ 30. A alíquota acima de US$ 50 segue em 60%, como a própria página da Receita Federal informava em 21/09/2026, já depois da sanção. Autorização na lei não é o mesmo que alíquota em vigor.
O imposto zero até US$ 50 é permanente?
Não tem prazo para acabar, mas também não está garantido por lei. A MP 1.357/2026 foi aprovada pela Câmara e pelo Senado em 3 de setembro de 2026 e sancionada como Lei 15.502 em 10 de setembro — então ela não perde mais a eficácia em 22/09, como poderia ter acontecido. O detalhe é que a lei AUTORIZA o Ministro da Fazenda a reduzir a alíquota a zero nessa faixa; quem zerou de fato foi a Portaria MF 1.342/2026. Portaria pode ser alterada por outra portaria, sem nova votação no Congresso. Entre as novidades da lei, duas afetam o benefício: o Executivo pode criar limite de quantidade ou de frequência para a alíquota reduzida nas remessas a pessoa física (§ 2º-F), e o Ministério da Fazenda tem de publicar uma avaliação de impacto em três meses contados da publicação da lei — ou seja, até 10 de dezembro de 2026 —, que pode embasar mudança. Em 21/09/2026 o zero estava em vigor, sem limite de compras e sem data marcada para acabar.
Como o ICMS é calculado nas compras internacionais?
Por dentro, e sobre uma base que inclui o Imposto de Importação quando ele existe. "Por dentro" significa que o imposto entra na própria base de cálculo: divide-se o valor por (1 − alíquota) e aplica-se a alíquota sobre esse resultado. Com 17%, R$ 100 viram base de R$ 120,48 e ICMS de R$ 20,48 — uma carga efetiva de 20,5% sobre o produto, não de 17%. É por isso que a conta do checkout costuma vir maior do que o comprador estimou.
Quais estados cobram 20% de ICMS em vez de 17%?
O Convênio ICMS 81/23 tinha fixado 17% para todos os estados nas remessas internacionais. O Convênio ICMS 135/2025 passou a permitir carga entre 17% e 20%, e nove estados subiram a partir de abril: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe. Nos demais, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a alíquota nessas compras segue em 17% mesmo quando a alíquota interna do estado é maior.
Comprar em site que não participa do Remessa Conforme muda alguma coisa?
Muda bastante, e para pior. Fora do programa não existe faixa isenta nem desconto: a regra é 60% de Imposto de Importação sobre mercadoria mais frete e seguro, além do ICMS. Também não há o recolhimento antecipado no checkout, então a encomenda pode ficar retida até o pagamento — com a espera e a burocracia que isso implica. AliExpress, Shopee, Shein e Amazon Global estão entre as plataformas certificadas.
O valor de US$ 50 considera o frete?
Sim. O limite é do valor aduaneiro da remessa, que inclui mercadoria mais frete e seguro — não apenas o preço do produto. Um item de US$ 47 com US$ 6 de frete soma US$ 53 e cai na faixa seguinte, com 60% de Imposto de Importação sobre o total (menos o desconto de US$ 30). Vale conferir a soma antes de fechar o carrinho: alguns reais de frete podem custar caro.
Preciso declarar essas compras no Imposto de Renda?
Compra de bem de consumo para uso próprio não gera, por si só, obrigação de declarar. Bens de valor mais alto podem entrar na ficha de bens e direitos conforme os limites da declaração daquele ano. Este guia trata de tributação aduaneira, não de IR — para dúvida sobre declaração, consulte a Receita Federal ou um contador.
Fontes
- Receita Federal — Quanto vou pagar de impostos?
- Receita Federal — Programa Remessa Conforme
- Senado — MP zera imposto para compras de até US$ 50
- Senado — Prorrogação do prazo da MP 1.357/2026
- Câmara dos Deputados — Lei nº 15.502, de 10 de setembro de 2026 (texto integral)
- Agência Senado — aprovação da MP no Plenário, 03/09/2026 (datas da tramitação)
- Congresso Nacional — Tramitação da MPV 1357/2026
- CONFAZ — Convênio ICMS 81/23
Conteúdo informativo, publicado em 05/08/2026 e atualizado em 21/09/2026 quanto à conversão da MP em lei e às alíquotas federais; a cotação do dólar e o quadro de ICMS por estado são os de 05/08/2026. Regra tributária muda — confira o valor exato no checkout da loja e, em caso de dúvida sobre a sua situação específica, consulte a Receita Federal ou um profissional de contabilidade.
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